Educadora paulistana, Branca Alves de Lima nasceu aos 13 dias do mês de agosto de 1910. Formou-se no antigo Curso de Normalistas em 1929, aos 19 anos de idade, na antiga Escola Normal do Braz. Entre as décadas de 1930 e 1940 lecionou nas cidades de Jaboticabal, São João da Boa Vista e São José do Rio Preto, entre outras cidades interioranas do Estado de São Paulo.
A partir da vivência em sala de aula notou que seus alunos tinham muitas dificuldades para aprender com o método analítico. Mesmo com a escassez de materiais pedagógicos, criou estratégias para alfabetizar e se dispôs a fazer cartazes com ilustrações feitas à mão, de próprio punho, utilizando a figura como ponto de partida para interpretação das letras e sons. Esse fato era inusitado e uma inovação tecnológica para a época, tornando-se atrativo para os alunos e facilitando sobremaneira o processo de aprendizagem. Seria essa a gestação do que futuramente viria a ser a Cartilha Caminho Suave que continha o método então denominado “Alfabetização pela Imagem” que resulta da unificação dos métodos sintético-analítico e vice versa.
De acordo com a Professora Maria Gabriela dos Santos Pereira, sobrinha-neta de Branca Alves de Lima, ela: “nunca teve o objetivo de desenvolver nenhuma teoria e/ou método de alfabetização, mas, a sua proposta de alfabetizar por meio das imagens surtiu efeitos imediatos entre os alunos”.
Branca tentou publicar sua obra, dirigindo-se às grandes editoras da época, mas não obteve êxito, sendo mesmo desacreditada por muitos. Ao ficar sabendo das dificuldades que sua filha vinha enfrentando, seu pai, Manoel Silveira Lima sensibilizou-se! Ele mesmo se propôs a investir o capital necessário para uma tiragem de 5.000 exemplares da Cartilha que, segundo a autora: “somente depois de três anos rendeu algum lucro e decolou”.
Foi enorme o sucesso da Cartilha Caminho Suave, tendo sua primeira edição lançada no ano de 1948! Tanto que, prevendo uma alfabetização em massa e em larga escala, o Ministério da Educação e Cultura a adotou; e a mesma foi distribuída para todos os estados da federação, passando a integrar o catálogo de livros pedagógicos do mesmo. Após o grande sucesso da Cartilha nos meios pedagógicos e em todo o território nacional, Branca e seu pai, entraram em um consenso e resolveram fundar sua própria Editora, e aos 17 dias do mês de outubro do ano de 1968, nascia a “Editora Caminho Suave Limitada”, estabelecida à Rua Fagundes, nº 157, bairro da Liberdade, São Paulo, onde, desde os 14 anos de idade, também residia a Educadora Branca e sua família.
No ano de 1970 foram editadas um milhão de cartilhas - número superado em 1971 quando a edição atingiu a marca dos dois milhões de cartilhas, tornando-se um “best-seller” nacional.
Acometida por várias complicações ocasionadas pelo diabetes, Branca Alves de Lima faleceu em 21 de janeiro de 2001, aos 91 anos de idade, deixando um legado indelével para a educação brasileira.
Fontes Consultadas: SANTOS, J. A. T.; WARTTUSCH, M.
Branca Alves de Lima (1910-2001) A mulher que alfabetizou milhões. In: Lis Angelis Padilha de Menezes. (Org.). Educadores Paulistas: histórias de vida e ações no âmbito educacional. 1ed.Campinas -SP: Editora Autores Associados, 2022, v. 1, p. 341-352.
SANTOS, J. A. T.; WARTTUSCH, M.
Notável Cartilha. Revista Humanitas, v. 156, p. 52 – 56, 2022.